Trilhos & Trens
No começo eram trilhos e trens. Os vagões, os carros de passageiros, as estações e locomotivas. Um silvo estridente quebra o silêncio. O badalar do sino anuncia sua chegada. O apito do chefe do trem, sua partida. Apertos de mão, abraços, recomendações. A composição coloca-se em ordem de marcha; acenos são constantes. A estação vai ficando para trás, outra começa a se aproximar.
Alguns levam o que vieram buscar, outros voltam sós, outras...
O uniforme azul e quepe vermelho inspiram muitos jovens ferroviários,
lembranças esquecidas agora revividas. Essa ferrovia de vários
quadros, de muitas passagens e muitas paixões.
A ferrovia dos pioneiros, a ferrovia do progresso, a ferrovia dos imigrantes, a ferrovia da riqueza. E, depois, a ferrovia das desilusões, do descaso, nossos sonhos se esvaindo como a fumaça do trem. E por fim, os trilhos do abandono.
O retrato dessa realidade, que agora se confronta entre a memória dos trilhos e a nova ferrovia urbana e moderna, que ainda encontra, aqui e ali: o sinal vermelho do atraso; mas que em cada trem, em cada passageiro, enxerga a luz verde do progresso e segue rumo a próxima estação.
Em meio a este cenário de progresso nacional, nasce um desejo ardente,
consciência crescente, de um trem presente, em meio a nossa gente.
A vitória esta eminente, memória impressa se faz presente.
Conrado Wik Neto